domingo, agosto 12, 2007

A GESTÃO NO SECTOR PÚBLICO

Há alguns dias questionei os meus leitores sobre a qualidade da gestão de recursos humanos no Ministério da Cultura, podia ter sido de outro ministério ou serviço público que a questão continuaria a ser pertinente.
Um jornal diário, o Público de ontem, referia o caso anedótico de ter constatado que a Câmara Municipal de Lisboa, com os seus 11 mil funcionários, ter tido de recorrer a uma empresa externa para a simples tarefa de repintar uma passadeira de peões. Como resposta à sua estranheza, fica a explicação do director municipal: “a autarquia tem apenas uma brigada de óperários para este tipo de seviço; sendo que essa brigada só trabalha à noite e apenas pode contar com uma máquina para o serviço, máquina essa que não funciona senão com tinta normal, que demora mais tempo a secar.”
O exemplo da CML é apenas um dos muitos, que ilustram a má gestão de pessoal e de meios dedicados a tarefas absolutamente necessárias e que são sistematicamente solicitadas ou adjudicadas a empresas externas que naturalmente se fazem pagar de modo a lucrarem no desempenho da sua actividade.
Nos últimos anos tarefas básicas como limpezas, jardinagem, segurança e encaminhamento, anteriormente executadas por pessoal auxiliar e operário, passaram a ser contratadas a empresas externas, embora com custos acrescidos para os serviços. A justificação foi sempre a mesma, a diminuição do número de funcionários públicos, e nunca a diminuição de encargos. Com isto tudo verificou-se ainda o facto de terem diminuido drasticamente os trabalhadores destes grupos profissionais, sem contudo ter diminuido o número global de funcionários públicos.
É interessante observarem-se estas bizarrias da gestão pública, quando se fala em rigidez nos encargos com o funcionalismo, omitindo-se quase sempre os encargos com a contratação destes serviços ao sector privado, como se não tivesse qualquer expressão.

««« - »»»
Fotografia - A Mão de Deus
Nikita Vasilyev
Nikita Vasilyev

««« - »»»

Humor da China

Gai Yu - China

Gai Yu - China

9 comentários:

adrianeites disse...

bom tema..

porque razão subcontratam tanto essas empresas... não têm eles pessoal qualificado e não qualificado que chegue e pelos vistos até que sobre.. haverão loby's aí??

o guardião disse...

Adrianeites
Os avisos do Tribunal de Contas sobre contratações sem o cumprimento das regras são mais do que muitas, sugerindo que há por aí marosca.
Cumps

Mário Silva disse...

A lógica empresarial passa por diminuir os custos de pessoal, à custa do aumento dos custos de fornecimentos e serviços de terceiros. É a lógica dos grandes auditores, normalmente ligados às empresas que prestam esses serviços.
Na administração pública macaqueia-se o princípio: diminui-se o pessoal e contrata-se uma multidão de técnicos, assessores e amigos que, a recibo verde, também vão parar,contabilisticamente, a serviços de terceiros. Como o pessoal dispensado é o que faz o trabalho, depois contrata-se esse trabalho a empresas que, de um modo geral, têm algumas gentilezas para uem os contrata.
Não é só na CML.

Joca disse...

Uma mão lava a outra, como se costuma dizer a este propósito.

Tiago R Cardoso disse...

Loby's ? Em Portugal ? Para mim trata-se antes de amizades, tipo negócios de "amigalhaços", alem disso no caso das zebras, não é preciso mais gentes, já esses pintam e ficam a olhar para vê-las secar, não penso que seja preciso mais "olhudos".

C Valente disse...

na Camara de Lisboa, só tem uma resposta desperdicio e má gestão.
mas sabemos como é outros estão a ganhar, tão honestos que eles são a e justificar o seu ponto de vista
saudações amigas

aryana disse...

Obrigada pela visita ao meu insignificante espaço de banalidades.
Quanto ao seu post eu acrescentaria:
"A in-gestão em todos os sectores da actividade in-produtiva da sociedade portuguesa"
Ao comentar a má gestão dos RH´S, tocou exactamente no maior paradoxo empresarial, próprio de um país pobre,com pseudo-gestores a gerirem o que não sabem e para que serve:o mais rico e inesgotável recurso "o ser humano",ou seja,a principal matéria prima de qualquer actividade produtiva.
O amigo Guardião deu-me o mote para uma post lá no meu espaço
Obrigada

J.G. disse...

À reflexão que deixas sobre este tema ainda gostaria de perguntar de que forma ou com que critérios e a quem pertencem essas empresas privadas contratadas pelos serviços públicos, nesta autarquia e em diversos serviços oficiais onde algo semelhante se passa.

Saudações amigas.

Odysseus disse...

Um bom exemplo de uma má gestão, funcionários a mais e certos sectores desprovidos de funcionários suficientes para as funções requeridas.