terça-feira, maio 09, 2006

OS ILUMINADOS

Numa altura em que se fala na reforma da função pública com contornos que ninguém conhece, tal o secretismo que a rodeia, importa reflectir pelo menos numa medida que à partida poderia ser aceite como justa e exequível: a avaliação do desempenho.
Vamos reportar-nos à área do Património como exemplo duma ideia que podendo parecer boa esbarra completamente com o bom senso, e com aquilo que a prática nos ensina a todos que conhecemos o meio. Para começar temos os objectivos dos serviços que parecem uma listagem de boas intenções com que todos concordariam, se houvessem os meios materiais e humanos necessários, o que não é o caso. Continuando, há que mencionar que os objectivos dos dirigentes dos serviços não são conhecidos, embora sejam fáceis de determinar pelas constantes estatísticas solicitadas sobre as receitas do local de trabalho.
O objectivo, não confessado é claro, é o de aumentar as receitas em 10 ou 15% relativamente ao ano anterior pelo que se percebe pelos sinais dados, como se o fluxo de visitantes fosse passível de ser determinado, ou se os funcionários pudessem contribuir verdadeiramente para que isso pudesse acontecer. O aumento de visitantes do Mosteiro da Batalha depende muito mais do afluxo de visitantes de Fátima e da divulgação do mosteiro do que do bom serviço prestado, do mesmo modo o público do palácios de Sintra e Queluz depende grandemente da fluidez ou dos engarrafamentos da IC-19 e todos os monumentos estão sujeitos às flutuações do turismo internacional que dependem de factores exógenos que ninguém controla na realidade.
As ideias tidas em gabinete podem parecer sedutoras, mas caem por terra por falta de conhecimento das realidades. Para além desta ficção apetece questionar que meios foram postos à disposição dos serviços para se alcançarem estes ou outros objectivos? Falamos de formação profissional, de melhorias dos espaços museológicos, de reforço do pessoal para a época de maior afluxo de visitantes, na promoção do Património além fronteiras, na colaboração com os agentes turísticos, na renovação dos produtos à venda nas lojas, nos planos de segurança dos monumentos, etc. ...
Vamos ser realistas, não teremos melhorias sustentadas se continuarmos a pretender fazer reformas que não envolvam os funcionários, como tem acontecido até aqui.

2 comentários:

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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